sábado, 7 de dezembro de 2013

querida copa do mundo,

É sempre muito polêmico falar sobre você, mas saiba que te aguardo ansiosamente. Existem teses e mais teses sobre alienação, ufanismo, sobre como as pessoas são atingidas, sobre como o evento influencia escolha de líderes, sobre como a economia gira e sobre como o planeta para. Ninguém mente, ninguém inventa nada. São todos pontos válidos. São as minhas verdades. São os nossos discursos. Assim o mundo segue discutindo a prática esportiva, a eleição dos heróis, os afetos e os ódios. É o normal. 

Teorias a parte, quero dizer a você que uma das primeiras lembranças que tenho da minha infância é daquele moço que usava rabo de cavalo, que vestia azul, que andou com a bola debaixo do braço do meio do campo até perto do gol, arrumou a bola no círculo branco, deu alguns passos pra trás, correu pra chutar e jogou a bola longe. Eu tinha seis anos e comemorei, mas juro que fiquei com pena do moço. 

Quero aproveitar para confessar a você que por muito tempo fui magoada com os franceses. Por que, Zidane? Por que, Henry? Puta merda, Roberto Carlos! 

Mágoas a parte, esta carta é para lembrar que espero emoção. Quero vagas decididas nos pênaltis. Quero zebras. Quero hinos cantados com toda força. Quero Ronaldinho de falta, quero destempero do Zidane, quero uma mãozinha (que pode ser de Deus ou nem tanto), quero cavadinha do Loco Abreu. Quero Bósnia x Croácia. Irã x Eua. Brasil x Argentina.

Anote os meus pedidos e minhas considerações e, quando receber, me avisa.

Cordialmente,
Carol. 

Um comentário:

  1. Amei os conflitos esperados em campo. Também quero todos.

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